A Espanha não salvou o futebol
Por trás do texto do Marca sobre a final, um padrão que atravessa Suárez, Busquets e mais de 100 anos de futebol
Newsletter Meiocampo #184 — 21 de julho de 2026
Um texto do jornal espanhol Marca decidiu que a vitória da Espanha não foi só um título: foi um resgate do próprio futebol. “Ela salvou o futebol”, escreveu o autor no texto. É a ideia de que um estilo de jogo pode ser moralmente superior a outro — e que quem joga diferente não está apenas perdendo, está errado. A Espanha foi, de fato, muito marcante pelo seu estilo. Esse nunca foi o problema. O problema é o que o Marca fez com esse mérito.
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A Espanha não salvou o futebol
Por Felipe Lobo
Há uma imprensa europeia disposta a comprar a ideia de que um estilo de jogo pode ser moralmente superior a outro — e a prova mais recente saiu no Marca, num texto de Juan Ignacio García-Ochoa intitulado “No era solo ganar el Mundial, era salvar el fútbol” (”Não era só ganhar a Copa, era salvar o futebol”). A Espanha foi, de fato, o melhor time da final e conquistou o título merecidamente. Mas isso não bastou pro texto: para o autor, se a Argentina tivesse vencido, o próprio futebol teria perdido.
O texto, é preciso dizer, também é uma defesa legítima do estilo de jogo espanhol. A Espanha encontrou uma identidade e exerce um tipo de jogo que passou a caracterizá-la como nenhum outro. Não há uma seleção no mundo hoje que tenha uma identidade de jogo tão clara quanto a Espanha, que irradia desde as categorias de base até a seleção principal, especialmente agora que tem Luis de la Fuente, técnico que foi comandante dos times da base.





