Champions: favoritos claros, mas o Real Madrid complica tudo
Quatro duelos de peso, que soam como uma semifinal antecipada e com os quatro melhores times da Europa se enfrentando antecipadamente
Newsletter Meiocampo #125 — 17 de março de 2026
As quartas de final da Champions League têm favoritos identificáveis — Arsenal, Bayern, Barcelona e PSG —, mas cada confronto tem a sua própria lógica de risco. Analisamos os quatro jogos: por que o Liverpool ainda tem uma chance contra o PSG, o quanto de mística o Real Madrid vai precisar para passar pelo Bayern, e por que o confronto entre Atleti e Barça é menos desequilibrado do que parece. No Giro: Harry Kane com 47 gols em março, a final da CAN que virou escândalo jurídico, a Uefa estudando streaming próprio, e o Irã tentando mudar seus jogos de Copa para o México.
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A Champions League tem favoritos claros
Por Bruno Bonsanti
As quartas de final da Champions League serão pesadas.
Trinta e dois dos 70 títulos europeus estarão em campo, junto com o atual campeão e dois antigos finalistas. E o Sporting. Essa construção semântica foi cruel com o Sporting, eu sei, mas não podemos negar que, como se tivesse vencido uma batalha pelo cinturão de zebra da temporada, os portugueses agora são os principais franco-atiradores.
Não fiquem bravos, torcedores do Sporting: todo confronto tem um favorito e um franco atirador.
Entrando nos últimos meses do calendário europeu, dois times se destacaram, seja pela regularidade e controle quase absoluto dos seus jogos, seja pela maneira como atropela os adversários: Arsenal e Bayern de Munique. E cada um ficou em um lado da chave.
Logo em seguida nesta eleição arbitrária de melhores times da temporada europeia, cujo colégio eleitoral se limita a mim, aparecem o Barcelona e o Paris Saint-Germain. Ambos foram um pouco mais irregulares, em parte porque precisaram lidar com cansaço e muitos problemas físicos, mas como vimos nesta semana, ainda conseguem atingir picos irresistíveis.
Cada um desses quatro grandes times tem um confronto de quartas de final para chamar de seu. Quais conseguirão confirmar o favoritismo? Quais serão surpreendidos?
PSG x Liverpool
Uma tese entre torcedores do Liverpool identifica o confronto do ano passado com o Paris Saint-Germain como o ponto de virada para o trabalho de Arne Slot. Foi a primeira vez que apareceram falhas na armadura, mascaradas por um título inglês que estava praticamente garantido. Terminou nos pênaltis, foi épico, etc, etc, mas ninguém que realmente viu os jogos ficou em dúvida sobre qual era o melhor time.
Ao longo de toda a temporada, ficamos à espera do retorno daquele PSG. Com paciência, porque havia legítimos fatores mitigantes. Eles haviam feito todos os jogos que poderiam fazer e ainda chegaram à final da Copa do Mundo de Clubes. O cansaço era óbvio e se traduziu em um primeiro semestre cheio de lesões, problemas físicos e irregularidade. O garoto-propaganda é Ousmane Dembélé. Geralmente espetacular quando está em campo, sua maior sequência na Ligue 1 foram seis rodadas seguidas e ele nem foi titular em todas elas.
Não à toa, o Lens chegou a ameaçá-lo pelo título francês. Ainda ameaça, mas o PSG está pouco a pouco reafirmando sua superioridade doméstica e finalmente pareceu o campeão europeu contra o Chelsea. Não o tempo inteiro, porque estava tudo empatado até o erro de Jorgensen a 15 minutos do fim no Parque dos Príncipes, e as estatísticas não sugerem uma vitória por 8 a 2 no placar agregado. Mas o bastante para nos lembrar dos riscos de dar espaços para um ataque com Kvaratskhelia, Doué, Barcola e Dembélé e como Vitinha e João Neves conseguem controlar um meio-campo.
A queda do Liverpool, com suas próprias justificativas, foi mais brusca. Nem o do ano passado conseguiu lidar com o PSG, imagina o desta, que de vez em quando perde do Wolverhampton e empata com o Burnley. Ao mesmo tempo, a atuação contra o Galatasaray foi a sua melhor na temporada porque conseguiu podar duas das principais falhas.
O ataque fluiu e produziu um volume avassalador: 32 finalizações, xG de quase 5.00, e Çakir voltou de Anfield com dores nas mãos após fazer 11 defesas. No outro lado do gramado, não houve nenhum daqueles apagões que geralmente contêm defensores cochilando, erros individuais, bolas nas costas e um completo pandemônio em torno de um Alisson que aponta e grita. Foi uma partida extremamente controlada, como poucas nesta temporada.
No momento em que tanto se discute como os ingleses estão sofrendo para transferir seu estilo de jogo a campos europeus, o Liverpool é a exceção. A sua campanha na Champions League supera a da Premier League. Sofreu apenas três derrotas. Em uma, contra o PSV, aqueles apagões vieram com força. As outras duas foram em Istambul, para o próprio Galatasaray. Por outro lado, ganhou de Atlético de Madrid, Real Madrid e Internazionale.
Computando tudo, o PSG pode até ser considerado o segundo maior favorito das quartas de final depois do Arsenal, mas se o Liverpool conseguir repetir o que fez em Anfield contra o Galatasaray, terá pelo menos uma chance.
Real Madrid x Bayern de Munique
Não tem coisa mais difícil na análise esportiva do que tentar avaliar qual é a verdadeira força do Real Madrid em um confronto de Champions League.
Antes das oitavas, oito em cada dez especialistas disseram que o Manchester City era favorito. Estava em uma sequência positiva e enfrentaria um time que havia acabado de sofrer contra Osasuna, Getafe e Celta de Vigo. Essa era a expectativa. A realidade vocês viram.
Então embora não haja nem comparação entre as temporadas de Bayern de Munique e Real Madrid, precisamos lembrar que o último confronto de mata-mata entre eles estava nas mãos dos bávaros quando de repente JOSELU saiu do banco de reservas para resolver com gols aos 88 e aos 91 minutos.
Teve uma Tríplice Coroa no meio do caminho, mas não é um absurdo argumentar que este Bayern de Munique talvez seja o mais forte desde a Era Guardiola ou mesmo desde o de Jupp Heynckes. Teve o melhor primeiro turno da história da Bundesliga, deve quebrar o recorde de gols e ainda pode igualar o de pontos. Harry Kane potencializa os companheiros como camisa 10 e marca como camisa 9, Michael Olise saltou para o grupo de melhores jogadores do mundo e Luis Díaz tem feito o Liverpool tentar lembrar exatamente por que ele tinha que ser vendido.
Se o Bayern está em um dos seus melhores momentos, o Real Madrid está em um dos seus mais conturbados. Precisou mudar de rota porque Xabi Alonso não se entendeu com o elenco e a defesa foi dilapidada por problemas físicos. Os resultados não são péssimos, ainda tem conseguido acompanhar o Barcelona, mas parece sempre sujeito a um tropeço inesperado. A seu favor, quase ninguém sabe tão bem como manejar um confronto europeu em duas mãos ou tem jogadores com o poder de decisão de Kylian Mbappé e Vinicius Jr.
O negócio com o Real Madrid na Champions League é tentar medir qual a quantidade de mística que será necessária. Alguns não precisaram de nenhuma. Eram simplesmente melhores que os seus adversários. Alguns eram organizados o suficiente para precisar apenas de um pouquinho. Para passar pelo Bayern de Munique, este precisará de muita.
Barcelona x Atlético de Madrid
Entre todos os que entraram na segunda partida das oitavas de final precisando reverter enormes déficits, quem diria que o Tottenham era quem chegaria mais perto. Não perto perto, mas mais perto. Talvez porque este Atlético de Madrid é mais adepto do caos do que qualquer outro que Simeone montou e isso é especialmente verdade contra o Barcelona de Hansi Flick. Houve 18 gols nos quatro confrontos diretos da temporada passada e 11 nos três da atual.
A Grande Mudança de Estilo que era cobrada do Atlético parece estar em andamento. Há quem diga que já foi até concretizada. As suas estatísticas são interessantes: tem a quarta maior média de posse de bola de La Liga (55%) e a quinta de finalizações (13,7). Não são números que normalmente chamariam a atenção em um dos times mais competitivos da Europa, mas é apenas a segunda vez que entra no top 5 de chutes de La Liga desde o título em 2020/21, embora nunca tenha ficado muito distante e os números em si nesse período sejam parecidos.
A posse de bola chama (55%) mais atenção porque subiu cinco pontos percentuais em relação ao triênio 2021-2024 (sempre em mais ou menos 50%) e já havia dado um salto para 52,2% na temporada passada. Teve campanhas, como a de 2022/23 (50,4%), por exemplo, em que o Atleti era apenas o 11º time espanhol que mais ficava com a bola no pé. Como referência, foi campeão em 2020/21 com 51,8%, o que, naquele Campeonato Espanhol, representou a terceira maior taxa nessa estatística.
Enfim, curioso, mas não tão importante porque, com um dos melhores sistemas de pressão da atualidade, o Barcelona de Hansi Flick não permite que nenhum adversário fique muito tempo com a bola. Essa costuma ser a chave desde a chegada do alemão. Se o adversário não tiver tempo para pensar e a bola for recuperada rapidamente, é difícil resistir ao rolo compressor azul-grená. No entanto, sempre com uma linha defensiva muito alta, se há falhas na pressão, seja por cansaço físico ou por cansaço mental, o Barcelona pode ser até facilmente goleado.
Foi assim na eliminação para a Internazionale na temporada passada e mesmo agora contra o Newcastle, que conseguiu marcar duas vezes no Camp Nou antes da porteira abrir. Também foi o que aconteceu na Copa do Rei: o Atlético de Madrid estava perfeitamente preparado para escapar da pressão e atacar a linha alta do Barcelona pelos lados do gramado. Encaminhou sua vaga na final com a vitória por 4 a 0, mesmo com apenas 35% de posse de bola. A grande dúvida em relação ao trabalho de Flick é se o seu estilo de alto risco e alta recompensa é adequado para o mata-mata, embora ele seja um campeão europeu.
Os colchoneros têm sido irregulares no geral. Estão brigando mais com o Villarreal pelo terceiro lugar do que com os líderes pelo título. Em um vácuo, o Barcelona tem mais qualidade e resultados melhores, mas o confronto direto tem gerado partidas eletrizantes e, principalmente, imprevisíveis.
Sporting x Arsenal
Embora tenha chegado ao fim, o Bodo/Glimt teve uma campanha memorável. Poucos times, mesmo de ligas fortes, conseguiriam derrotar Manchester City, Atlético de Madrid e Internazionale (duas vezes) e abrir 3 a 0 nas oitavas de final contra um adversário bem mais experiente em competições europeias. Fica ainda mais notável quando checamos o seu orçamento e lembramos que era a sua primeira participação na Liga dos Campeões.
Mas o Sporting falou “chega”: vocês se divertiram demais já. Os Leões conseguiram uma atuação avassaladora (66% de posse de bola, 38 finalizações, 3.78 de xG) para forçar a prorrogação, na qual marcaram mais duas vezes para chegar às quartas de final pela primeira vez desde 1982/83. Mostraram o perigo que podem causar com um trio de ataque com Luis Suárez (outro), Pedro Gonçalves e Francisco Trincão.
Suárez, aliás, é um dos protagonistas de um sub-enredo desse confronto. Foi contratado como substituto de Viktor Gyökeres, por muito menos do que o Arsenal pagou, e enquanto o sueco tem dificuldades para se adaptar à Premier League, cada um dos 32 gols do colombiano por todas as competições coloca uma pulguinha atrás da orelha de que talvez os números absurdos de Gyökeres tenham sido mais fruto do sistema do Sporting do que de suas qualidades individuais. Não acredito 100% nessa tese, mas é uma reflexão interessante.
Isso posto, é o confronto mais desequilibrado das quartas de final, em parte porque é o único que envolve um clube que não faz parte das cinco grandes ligas, em outra parte porque o Arsenal caminha para uma temporada histórica. Ainda tem chance de conquistar quatro títulos. Basicamente forçou os outros clubes da Premier League a jogarem à sua imagem e organizou um sistema de bolas paradas revolucionário. Tem tanto controle das partidas que torna extremamente difícil ao adversário sequer acertar a sua meta, quanto mais fazer um gol.
O outro lado dessa moeda é a única coisa a favor do Sporting: diferente de Bayern de Munique e PSG e Barcelona em seus melhores dias, o Arsenal raramente atropela os seus adversários. Os placares costumam ficar em um patamar que permite surpresas, se o Sporting conseguir marcar bem tanto Eberechi Eze e Bukayo Saka quanto a bola parada, e encontrar alguma maneira, nem que seja por meio da sorte, de invadir a intransponível defesa dos Gunners.
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PODCAST MEIOCAMPO #215
As quartas de final da Champions League 2025/26 estão definidas — e o chaveamento parece uma semifinal antecipada: PSG x Liverpool, Real Madrid x Bayern, Barcelona x Atlético de Madrid e Sporting x Arsenal. Felipe Lobo e Bruno Bonsanti analisam por que essa edição chegou ao momento decisivo com os melhores times já se eliminando entre si, o que os jogos de volta revelaram sobre o nível real de cada um dos classificados e como ler os confrontos que vêm aí. Mais: a CAF pune o Senegal, dá W.O. e coroa o Marrocos campeão africano.
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GIRO
Por Felipe Lobo
- Craque brasileiro do Barcelona decidindo na Champions? Já vimos esse filme antes. Raphinha foi mais uma vez o grande destaque do Barça no duelo contra o Newcastle. Foram dois gols e duas assistências do brasileiro, que brilhou intensamente. Uma das melhores da Champions até aqui. Pensando em Copa do Mundo, é uma ótima notícia. O placar de 7 a 2 (o que levou a um 8x3 no agregado) foi um massacre. O Camp Nou foi muito importante e teve até a recuperação de Robert Lewandowski, com dois gols. Teve ainda um gol de Lamine Yamal, de pênalti. Para quem tá preocupado com Neymar nào estar em forma para a Copa: Raphinha, aparentemente, está e tá decidindo jogo de Champions, assim como Vini Júnior. Espero que não vejamos aquela bobagem de “a Seleção não tem protagonistas” e etc.
- O sonho do Bodo/Glimt não resistiu a um Sporting sedento por vingança. Diante do seu torcedor, o que vimos foi um Sporting que colocou o time norueguês nas cordas. No primeiro tempo só saiu um gol, e poderiam ter saído mais. No segundo, os Leões foram enormes. Arrancaram dois gols, levaram o duelo para a prorrogação e, pela superioridade que demonstravam, parecia claro que eles tinham uma boa chance de levar a classificação. E foi o que aconteceu: dois gols, um em cada tempo, e a conta foi fechada. O sonhou acabou, mas a campanha foi incrível e vai ser lembrada pelos torcedores. Aliás, o time teria o seu primeiro jogo na temporada norueguesa no último fim de semana, antes do duelo com o Sporting, mas teve o jogo adiado para se dedicar integralmente ao duelo. Tomou uma goleada e foi eliminado, então agora é hora de começar a temporada. Neste domingo, 22, o time enfrenta o Lillestrom. Certamente em um outro patamar em relação à temporada passada.
- Harry Kane fez dois gols contra a Atalanta e atinge um número absurdo: 47 gols na temporada. E estamos em março. Em 39 jogos, 47 gols é um número absurdo. No agregado, o Bayern de Kane venceu a Atalanta por 10 a 2. Não teve disputa, basicamente. Mas o que Kane tem feito é material para estar entre os melhores da temporada, disputando a Bola de Ouro. É que este ano tem um evento mais ou menos importante no meio do ano que pode mudar tudo. A sorte de Kane é que o time que ele vai defender nesse torneio é bastante forte e fez duas boas campanhas nas duas últimas edições — inclusive com ele mesmo indo bem nas duas. Se ganhar a Copa com a Inglaterra, a Bola de Ouro será dele, sem dúvida. Se não, veremos quem será.
- Lembra a final da Copa das Nações Africanas, vencida por Senegal na prorrogação? Foi anulada. O Comitê de Apelações da CAF deu vitória por 3 a 0 para Marrocos — donos da casa — por infração do artigo 84 do regulamento da CAN: Senegal abandonou o gramado. É um caso complexo. Para Andrei Kampff, jornalista e advogado especialista em direito desportivo, há uma base legal sólida para tomar a decisão que a CAF tomou. O problema é que isso aconteceu meses depois, em um tribunal. Se a decisão tivesse sido tomada em campo pelo árbitro quando Senegal deixou o gramado, pouca gente discordaria. Só que Senegal voltou a campo, o pênalti que gerou a revolta dos senegaleses foi batido —e desperdiçado de maneira ridícula por Brahim Diaz — e os Leões de Teranga ganharam o título em campo, na prorrogação.
- Mesmo que haja uma base legal, a sensação que essa decisão deixa é muito ruim. Georgi Gradev, um advogado especialista da SILA International Layers, afirmou no seu LinkedIn ao comentar o caso que diferentes interpretações são possíveis: que Senegal abandonou o campo e sustentar a decisão; e outra que como o jogo foi retomado, não pode ser considerado abandono. Senegal vai levar o caso para a Corte Arbitral do Esporte, na Suíça. Enquanto isso, o técnico Pape Thiaw levou a taça para uma base militar do país e alguns jogadores já se manifestaram dizendo que não irão devolver as medalhas de campeões. Essa história vai longe.
- A Uefa convocou as maiores ligas da Europa para uma discutir uma abordagem menos intrusiva do VAR. A entidade que comanda o futebol europeu quer adoptar uma abordagem mais consistente e que tenha menos interferência. Já havia indício disso quando o chefe de arbitragem da Uefa, Roberto Rosetti, afirmou no congresso anual em Bruxelas no último mês que o VAR se tornou “muito forense” (o que vemos muito no Brasil também). “Ao final da temporada, precisamos falar sobre isso, porque não podemos continuar nessa direção de intervenções microscópicas do VAR. Amamos o futebol como ele é”, disse Rosetti no congresso da Uefa.
- A Uefa estuda criar um streaming próprio em mercados menores. Esse era o sonho do Real Madrid com a sua Superliga, mas a Uefa começa a estudar a possibilidade de ter um streaming próprio, inicialmente em países menores. A ideia ganhou força quando a Premier League anunciou que terá um streaming próprio em Singapura — mas não em mercados maiores e mais ricos. A França, por necessidade, teve que fazer o mesmo ao criar um streaming próprio para consumo interno, o Ligue 1+. Como atualmente a Uefa vende os direitos de transmissão via UC3, uma joint-venture com a European Football Clubs (EFC), a antiga ECA, os clubes têm participação direta. A ideia, porém, ainda está em fase muito preliminar e não deveremos ver nada por um bom tempo. Especialmente porque mercados como o Brasil e América Latina seriam um dos últimos afetados por isso — em teoria.
- Messi chegou a 900 gols na carreira, mas o Inter Miami acaba eliminado da Concachampions. Foi de Messi o gol que abriu o placar, aos sete minutos e que, naquele momento, dava a classificação à equipe do argentino. Só que no segundo tempo, Cristian Espinoza empatou o jogo. O resultado classificou o Nashville pelos gols fora de casa, já que o primeiro jogo, no Tennessee, acabou em 0 a 0. Messi chega aos 900 gols na carreira e tudo indica que irá muito além disso, porque segue muito bem no Inter Miami. Exceto pelo fato que não conquistará o título continental mais uma vez. O time cai nas oitavas de final, o que foi surpreendente. O Nashville vai para as quartas de final junto ao Los Angeles Galaxy, América do México, Seattle Sounders, Cruz Azul, Toluca, Los Angeles FC e Tigres. Quatro americanos e quatro mexicanos. E curiosamente, serão quatro duelos da MLS x Liga MX: Toluca x Los Angeles Galaxy; Los Angeles FC x Cruz Azul; Nashville x América do México; Tigres x Seattle Sounders.
- A embaixada do Irã tentou negociar a mudança dos jogos da seleção do país na Copa do Mundo para o México, segundo uma publicação da embaixada iraniana. A Fifa, porém, disse que não há qualquer intenção de promover essa mudança. Compreensivelmente, há uma falta de coordenação nos movimentos do Irã entre governo, federação de futebol e embaixadas. O pedido parece não fazer muito sentido, porque isso mexe não só com o Irã, mas com cidades, sedes, centro de treinamento. Parece improvável que isso acontecerá. O caso do Irã ainda é uma incógnita diante da guerra vivida pelo país contra aquele que sediará a Copa. É uma situação inédita. E só saberemos mesmo o que vai acontece, ser o Irã vai jogar a Copa e como, mais perto da competição. Neste momento, parece improvável que os iranianos joguem.
- O Borussia Dortmund quer contratar de volta Jadon Sancho. O atacante está atualmente emprestado no Aston Villa e ficará sem contrato ao final da temporada, em junho. O atual vínculo é com o Manchester United, clube que o contratou justamente do Dortmundo por € 85 milhões em julho de 2021. Com 25 anos, ele parece já ter vivido várias vidas e esteve de volta ao Dortmund emprestado por uma temporada quando o clube chegou à final da Champions League em 2024/25. Agora, o Dortmund quer contratá-lo de forma definitiva, segundo informações do site The Athletic.
- Uma deputada de New Jersey propôs uma lei para “Salvar a Copa do Mundo” do ICE, segundo The Athletic. A ideia é simples: impedir que financiamento federal seja usado para realizar atividades de fiscalização de imigrantes a menos de uma milha de qualquer partida da Copa do Mundo ou de qualquer Fan Fest durante o torneio nos Estados Unidos. O ICE tem atuações mais do que questionáveis e até criminosas, como foi o caso das mortes em Minnesota. Há um temor que isso iniba torcedores de irem aos estádios, mesmo aqueles que são cidadãos americanos filhos de imigrantes ou imigrantes legalizados, porque o ICE não tem diferenciado muito cada um deles. Para a deputada, essa lei pode ajudar a pressionar a Fifa para garantir a segurança desses torcedores na Copa — o que, convenhamos, a Fifa não consegue fazer sendo uma parça de primeira hora do presidente Donald Trump.
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A Newsletter Meiocampo conta com duas edições fixas semanais: às terças, exclusiva para assinantes, e às sextas, gratuita para o público em geral. Ocasionalmente, nossos assinantes também ganharão textos extras. Na terça-feira, repercutimos a convocação da Seleção, feita por Carlo Ancelotti, e o time que parece montado — e segue sem Neymar. Aliás, o técnico jogou a responsabilidade da convocação para o craque, que precisa atingir um patamar difícil para estar na lista.
Bom fim de semana!







