Estaduais cobram pedágio da rivalidade
O colapso logístico expõe a armadilha que destrói planejamentos logo no começo do ano
Newsletter Meiocampo #122 — 10 de março de 2026
A poeira dos estaduais baixou, mas o estrago no planejamento dos clubes apenas começou. Em um ano de calendário estrangulado pela Copa do Mundo, a promessa de racionalidade das diretorias brasileiras não resistiu ao primeiro clássico. Na edição de hoje, falamos sobre como o medo da chacota e o peso político da rivalidade continuam forçando times a sangrar em torneios que, no longo prazo, caminham para a inanição comercial. Mais abaixo, contamos o bizarro caso dos jogadores da MLS punidos por apostarem no próprio cartão amarelo, e o debate de segurança que tomou a Escócia após invasão de campo e pancadaria no clássico entre Rangers e Celtic. Boa leitura.
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Estaduais sangram, mas ainda cobram o pedágio da rivalidade
Por Felipe Lobo
Os estaduais se despediram no fim de semana e a imagem que ficará é a da batalha campal do Mineirão. A briga generalizada, que resultou no absurdo de 23 expulsos, é o sintoma exacerbado de uma tensão desproporcional e irracional de todo começo de ano. Torneios que poderiam ser preparatórios viraram um laboratório de caos, oferecendo taças de pouco peso e crises de proporções continentais.
O ano de 2026 é um colapso logístico anunciado. Para resolver o problema de parar um mês inteiro em plena temporada por causa da Copa do Mundo, a solução pragmática da CBF foi espremer os estaduais e iniciar o Campeonato Brasileiro quase ao mesmo tempo. Isso jogou no colo dos clubes a responsabilidade de escolher o que priorizar. Não deveria ser uma tarefa difícil: o Brasileiro é o campeonato mais importante do país. Bom, deveria ser assim.





