O futebol deixou o torcedor em segundo plano. Ou quinto
O futebol tem tanto medo de perder as novas gerações para o TikTok, mas esqueceu do que mais prende o torcedor: a arquibancada
Newsletter Meiocampo #132 — 14 de abril de 2026
O torcedor é a prioridade no futebol. Ou deveria ser. Talvez ao menos uma prioridade maior que o quinto lugar. Partirmos de um episódio neste fim de semana no futebol brasileiro para tratar sobre como o torcedor da arquibancada parece estar muito longe da prioridade dos clubes. Também tratamos sobre a Fifa tentar convencer Trump a amenizar o ICE na Copa e a primeira mulher treinadora de uma das cinco grandes ligas da Europa.
Vale lembrar: as edições de terça-feira e eventuais extras são exclusivas para assinantes. Às sextas-feiras, continua o conteúdo gratuito aberto ao público. Sugestões, críticas, elogios, quer só mandar um abraço: contato@meiocampo.net.
O futebol deixou o torcedor em segundo plano. Ou quinto
Por Bruno Bonsanti
Duas coisas me incomodaram bastante no fim de semana de futebol brasileiro.
Três, se contarmos a estratégia do Palmeiras para fazer gol com dois jogadores a mais.
Naquele mesmo jogo, descobri que o “gestual de botar a mão no saco” é uma ofensa para cartão vermelho. Surpresa para mim, apesar de ter acontecido duas vezes em 10 dias com o mesmo time. É a regra? Muda a regra. A regra é absurda. As crianças vão sobreviver. É uma oportunidade educacional de dizer para elas não fazerem isso. A mesma abordagem que o árbitro deveria ter adotado com André em vez de estragar um clássico aos 35 minutos do primeiro tempo: “Bicho, não faz isso”.
Nota paralela: engraçado que, no SofaScore, o cartão vermelho foi colocado sob a categoria “conduta violenta”, o que eu imagino que dependa da agressividade do gestual.
A outra foi o adiamento do Fla-Flu.
Não o adiamento em si. Em condições normais, o Flamengo teria apenas um dia de treinamento, depois de correr por 90 minutos a 3.400 metros de altitude. O calendário do futebol brasileiro continua horrível. É razoável que haja margem de manobra diante de imprevistos. Foi refrescante ver dois parceiros chegando a uma decisão acordada sem dramas e acusações. O normal do futebol brasileiro seria o Fluminense bater o pé para levar um mínimo de vantagem. Não é isso que cobramos o tempo inteiro? Que os clubes consigam trabalhar juntos?
O único prejudicado foi quem havia comprado ingresso e se planejado para ir ao jogo no sábado e não conseguiria fazer o mesmo no domingo. E o problema é a pouca importância que demos para um prejuízo que, na verdade, é enorme. Pode ser que fosse uma parcela pequena. Talvez algumas centenas de pessoas. Mas falou alto sobre o que o futebol pensa de quem deveria ser o pilar de todo o negócio. O torcedor que vai ao estádio foi quase completamente ignorado.





