Eusébio como escudo para racismo: a vergonha do Benfica
Clube e José Mourinho decidem abraçar o ridículo, inverter a culpa e usar ídolos do passado para blindar o ato racista de Gianluca Prestianni na Champions League
Newsletter Meiocampo #118 — 20 de fevereiro de 2026
A semana foi de Champions League e, por mais que nossa vontade sempre seja focar no campo, o que aconteceu dentro dele nos impede. Vinícius Júnior mais uma vez denunciou racismo, foi apoiado por Kylian Mbappé, que também ouviu o que foi dito. O Benfica adotou Eusébio como escudo institucional e se colocou em um papel ridículo. Agora é saber se a Uefa vai corroborar essa farsa. Falamos ainda dos jogos, porque sim, tivemos os jogos na semana de Champions League, com a sapatada que a Inter tomou no norte da Noruega, a grande vitória do Galatasaray, a goleada do Newcastle muito mais. Boa leitura!
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Mão na boca e Eusébio como escudo: a covardia para blindar o racismo contra Vini Jr.
Por Felipe Lobo
Qual é a pior desculpa que você pode usar para uma ofensa racista? Talvez negar e dizer que foi um mal-entendido. Dizer que admira um negro, quem sabe, como se isso criasse um escudo anti-racismo. Ou dizer que a pessoa provocou, que ela, de uma forma ou outra, pediu por isso. Se você quiser ser mais cínico, pode dizer que a pessoa que se diz vítima já passou por isso tantas vezes que não pode ser coincidência. Mas você não está satisfeito, você quer ir além. Então, você inverte os papéis. Diz que há uma campanha de difamação contra você. Se esse fosse o bingo do racismo, Gianluca Prestianni e o Benfica teriam completado a cartela.
Falaremos aqui das atitudes tomadas pela atual gestão do Benfica, que decidiu, deliberadamente, tratar um caso de racismo como uma “campanha de difamação” contra o seu jogador, tentando inverter o papel de vítima e agressor. Em vez de proteger o seu maior ativo histórico — a própria imagem e grandeza do clube —, o Benfica preferiu a defesa cega.
Isso não apaga a grandeza do clube, nem diz algo sobre o caráter dos adeptos, a grande maioria consciente e certamente contrário à atitudes que corroborem racismo. Isso diz muito sobre quem comanda o clube.
A atual direção do Benfica decidiu que este é o caminho a ser seguido: minimizar o racismo, porque tudo que aconteceu ali foi justificado. Jogaram uma bomba de fumaça e colocaram bedéis bradando: “Não tem nada acontecendo, circulando, circulando”.
O comportamento institucional seguiu o que o seu comandante, o técnico José Mourinho, disse depois do jogo. Mourinho usou um argumento muito comum em casos de racismo. Disse que o maior ídolo da história do Benfica é Eusébio, um homem negro. Logo, como este clube ou alguém dele pode ser racista? Impossível. Certo?
“Eu disse a ele (Vinícius Jr) que quando você faz um gol assim, você tem que comemorar e voltar. Quando ele estava discutindo sobre racismo, eu disse que a pessoa mais importante da história deste clube é negra. Este clube, a última coisa que ele é, é racista. Se na mente dele houve algo racista, este é o Benfica”.
Poxa vida, José, perdemos tempo discutindo isso aqui. Como ninguém pensou nisso antes? Se o maior ídolo de um clube é negro, então não há como esse clube ser racista, certo? É um argumento realmente com bases sólidas como uma pedra de gelo na praia do Rio de Janeiro.
É como dizer que o Brasil não pode ser um país racista, afinal de contas, o maior ídolo é Pelé! Como pode um país que tem Pelé como ídolo ser racista? Impossível! Nem deveria ter essa discussão aqui, certo?
Como alguém do Benfica pode ter uma atitude racista com Eusébio como maior ídolo? Seria completamente impossível que um jogador do clube repetisse cinco vezes para outro que ele é um mono. E ele só cobriu a boca para ninguém ver que, na verdade, ele estava pedindo a camisa do Vinícius no fim do jogo. Certamente era isso. Tanto Vini quanto Mbappé certamente se confundiram.
Esse é o famoso argumento do “Eeeeeeeeeeu, racista? Eu tenho até amigos que são negros”. Essa é uma carta clássica usada por... racistas. O que não faltam são exemplos. Mas Mourinho não fez só isso. Usou outro recurso bastante comum nesses casos: transferiu a responsabilidade para a vítima. Sim, porque ele disse que Vinícius Júnior marcou um golaço e foi provocar a torcida. “Vini não ficou feliz apenas em marcar aquele gol incrível e o jogo acabou. Quando você faz um gol assim, você comemora de uma maneira respeitosa”.
Peraí, vamos parar um pouco aqui. Mourinho falando em comemoração respeitosa. Mourinho. Uma das coisas que eu mais gosto no Mourinho é justamente a forma como ele é um provocador. Como alguém que acompanha a Inter de perto, como esquecer aquela semifinal que ele eliminou o Barcelona de Pep Guardiola e Messi, então campeão da Champions, em pleno Camp Nou, e saiu correndo para dentro do gramado, dedo em riste, apontando para o céu?
Sem falar em tantas vezes que provocou como técnico do Chelsea, do Real Madrid, até do Manchester United. Isso tudo faz parte do personagem Mourinho que é admirado, amado até. Agora ele considera desrespeito dançar na bandeirinha de escanteio depois de marcar um golaço? Ah, José...
E ele continua. Ao ser perguntado se Vinícius Júnior provocou a torcida e jogadores do Benfica (uma bela levantada de bola do repórter, hein? Parabéns), ele respondeu agarrando a oportunidade com unhas e dentes: “Sim, acredito que sim. Palavras foram trocadas, Prestianni com Vinícius, quero ser independente, não quero dizer que acredito em Prestianni ou não acredito em Vinícius, porque eles me disseram duas coisas completamente diferentes”.
Pois é, Prestianni negou as acusações no Instagram. “Quero esclarecer que em nenhum momento disse insultos racistas a Vini Jr, que lamentavelmente entendeu errado o que ele pensou ter ouvido. Eu nunca fui racista com ninguém e lamento as ameaças que recebi de jogadores do Real Madrid”.
A defesa normalmente passa pela pessoa dizendo que não é racista. E normalmente quem diz isso acredita mesmo. A questão é mais do que ser: é a atitude. E a atitude de chamar alguém de macaco, independente do contexto ali, é racista. A atitude é racista. E todos podem ter atitudes racistas. Devemos estar sempre atentos para corrigir. Mas como no futebol tudo vira um cavalo de batalha clubista e, claro, muitos gostam de usar o racismo de forma recreativa e provocativa, é sempre minimizado.
O Benfica apoiou o jogador inteiramente. Publicou no Twitter a declaração de Gianluca com a mensagem: “Juntos, ao teu lado”. Nenhum questionamento. Aliás, fez o mesmo em um comunicado em seu site.
Foi além disso. Publicou um vídeo de Vinícius com as palavras: “Como demonstram as imagens, dada a distância, os jogadores do Real Madrid não podem ter ouvido o que andam a dizer que ouviram”. Uma vergonha. Uma completa vergonha. Um clube deste tamanho e importância se prestando a um papel patético como esse.
Voltemos a Prestianni. Ah, a carta do “fui mal interpretado”. E sabe o que é pior? É possível que ele acredite mesmo nisso. Vemos isso acontecer o tempo todo aqui na Libertadores: argentinos, e muitos de outros países do futebol sul-americano, acreditam que insultos racistas são parte do jogo, não é racismo de verdade. Para eles, é algo como xingar de idiota, babaca ou filho da puta mesmo. E isso, evidentemente, é uma interpretação que já não serve mais ao mundo atual. E se é normal na Espanha, na Argentina, em Portugal, não deveria ser.
Vini Jr é um cara que não aceita esse tipo de ofensa. E isso é o que irrita, porque grandes jogadores do passado sofreram racismo também, mas o mundo era outro e eles eram instruídos a se calar, ou responder em campo, e apenas em campo. E nada mais. Não é a postura de Vinícius.
E as lendas do passado estão com Vini. O programa da CBS Sports Golazo, nos Estados Unidos, enfrentou o assunto de frente. Thierry Henry desabafou sobre a solidão brutal da vítima: “Fui acusado de dar desculpas depois de jogos em que isso aconteceu comigo. Você se sente sozinho, porque será a sua palavra contra o mundo. Você sente que não sabe mais o que fazer”.
A bancada foi unânime em apontar o cinismo da situação. Micah Richards chamou Prestianni de covarde por cobrir a boca, questionando a falsa dúvida plantada no ar. Jamie Carragher expôs a ironia absurda de ver justamente Mourinho querendo ditar regras sobre “comemorar sem antagonizar o adversário”. E Kate Scott resumiu a ópera ao dizer que insinuar que Vini “pediu por isso” é uma narrativa terrivelmente prejudicial vinda de um nome com a força global do técnico português.
O ponto aqui é: por que diabos alguém inventaria que sofreu um insulto racial? Por que Vinícius Júnior faria isso? Vivemos em um mundo onde agressores raramente são punidos, e é a vítima que acaba arcando com todo o desgaste. Então, diante disso, por que inventar? Faz muito pouco sentido.
Mas na cabeça de quem acusa, eles acreditam que Vinicius instrumentaliza isso, tornando-se vítima como arma. Porque, na cabeça deles, o racismo é apenas uma arma retórica, como ofender a mãe ou qualquer outro xingamento. É só um instrumento para tentar levar alguma vantagem. Eles pensam assim porque é exatamente assim que eles agem. Projetam nos demais aquilo que eles próprios fazem.
Este episódio teve muita repercussão porque foi na Champions League, com o Real Madrid, com um dos melhores jogadores do mundo. E, apesar da tentativa de relativização e da forma patética como o Benfica defendeu o jogador, a história não deveria acabar aí.
Sabemos que a palavra de Vinícius Júnior costuma ser relativizada e não ouvida. Só que Kylian Mbappé, em entrevista excelente à repórter Tati Mantovani, da TNT Sports, decidiu não deixar margem para dúvidas. Sem meias palavras, o francês explicou que a tensão e as provocações no jogo são normais, mas relatou o momento em que a linha cruzou:
“Com o número 25, não quero dizer o seu nome porque não merece, começou a falar palavras inaceitáveis, mas depois ele cobriu a sua cara com a camisa e disse cinco vezes a Vinicius que ele é um macaco”.
Mbappé foi cristalino. Ele e outros jogadores, segundo o francês, ouviram tudo claramente porque estavam perto. Mais do que isso, o francês cobrou atitude da diretoria benfiquista para proteger a sua própria grandeza, afirmando que um clube com uma imagem daquele tamanho não pode deixar passar a atitude de um jogador que sequer “merecia jogar a melhor competição do mundo”.
Então agora sabemos o que aconteceu. E mais do que isso: outros jogadores testemunharam. O que a Uefa vai fazer com isso? Vai haver uma investigação de verdade? Vai haver uma acareação? Não dá para usar mais o escudo da “palavra de um contra o outro”, porque é exatamente com isso que os racistas contam para continuar agindo, dizendo que é apenas provocação e que a resposta tem que ser “em campo”.
Mais do que protocolos de papel que aparentemente não servem para nada, é preciso atitude. Em 2021, a Uefa julgou o caso do zagueiro Ondrej Kudela, do Slavia Praga, que ofendeu racialmente Glen Kamara, do Rangers, pela Liga Europa. O tcheco cobriu a boca para falar. A punição foi uma suspensão de 10 jogos — que só veio 26 dias depois do jogo, é bom dizer, quando o confronto já estava resolvido em campo.
Será que algo vai acontecer desta vez? O mínimo que se espera é que esse padrão de rigor seja seguido. A discussão sobre proibir jogadores de cobrir o rosto para falar algo, mesmo que não resolva o racismo estrutural, parece uma excelente medida pragmática neste momento. Se cobriu o rosto para ofender um adversário, temos que assumir que a ofensa foi a pior possível. Não dá para os jogadores continuarem usando a própria camisa como esconderijo para cometer essas barbaridades.
Se a Uefa quer fazer algo pelo racismo além de ostentar faixas e aplicar multas nominais, a hora é agora. Mas, infelizmente, os muitos anos nesta indústria vital me dizem que isso dificilmente vai acontecer. E que estaremos, mais cedo ou mais tarde, falando de outro caso como esse.
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GIRO
Por Bruno Bonsanti
- Enfrentar o Galatasaray em Istambul é difícil. Bem-vindo ao inferno e tudo mais. Ainda impressiona quantas vezes a defesa da Juventus bateu cabeça e pareceu insegura, mesmo nos lances em que não houve uma falha escancarada, como no quarto gol ou na expulsão de Juan Cabal. O Galatasaray tem colecionado jogadores cascudos que, por qualquer motivo, toparam deixar os grandes centros e sabem aproveitar esses momentos. Como Victor Osimhen, Leroy Sané, Mauro Icardi e até Noa Lang e Gabriel Sara, dois destaques da vitória turca. A temporada da Juventus, que parecia promissora com uma enxurrada de vitórias entre novembro e janeiro, deu uma empacada: derrota na Copa da Itália para a Atalanta, empate com a Lazio, derrota para a Inter e agora precisará de uma partida impecável em Turim para evitar uma eliminação precoce na Champions League.
- O PSG pegou um adversário local pelo segundo ano consecutivo nos playoffs da Champions League e até pareceu que o Monaco conseguiria complicar a sua vida quando abriu 2 a 0 em menos de 20 minutos. Este, porém, não é um Monaco que consegue complicar muita gente, embora esteja esboçando uma recuperação na Ligue 1. A virada foi até simples. A preocupação para o atual campeão é a condição física de Dembélé, substituído aos 26 minutos do primeiro tempo. Pode ter sido apenas cautela porque ele era dúvida para a partida por uma lesão na perna e, segundo Luis Enrique, levou uma pancada no pouco tempo que ficou em campo. Que não seja nada sério. Depois de muitos problemas físicos, Dembélé estava engrenando e voltando a mostrar aquele nível que lhe rendeu uma Bola de Ouro.
- Eu não esperava que Niko Kovac fosse mais do que um técnico tampão, mas, desde o fim da temporada passada, ele tem conseguido fazer o Borussia Dortmund ser um time bastante regular, um dos grandes desafios do futebol europeu. Se entrar de verdade na briga pela Salva de Prata dependerá do clássico com o Bayern daqui a dez dias, não dá para ignorar seis vitórias consecutivas e nove em 11 rodadas. E elas não vieram em detrimento da Champions League, que tem sido mais generosa com o Dortmund nos últimos anos do que a Bundesliga. A vitória por 2 a 0 sobre a Atalanta encaminhou a vaga nas oitavas de final, com mais um gol de Guirassy. Ele passou por uma seca na virada do ano, mas já havia marcado cinco vezes nas últimas três rodadas do Campeonato Alemão.
- Eu entendo que era o Qarabag, mas o Newcastle precisava continuar em uma sequência positiva. E era o mesmo Qarabag que empatou com Chelsea e venceu Benfica e Eintracht Frankfurt para somar os pontos necessários para se classificar aos playoffs da Champions League. Depois de quatro derrotas e um empate em cinco jogos, os Magpies emplacaram a terceira vitória consecutiva fora de casa, depois de derrubarem o Tottenham e eliminarem o Aston Villa da Copa da Inglaterra. O placar elástico lhes permitirá manejar bem o elenco na partida de volta em um momento delicado do calendário. Parabéns para Anthony Gordon, que marcou quatro vezes e, com 10 gols no total, superou Alan Shearer como o maior artilheiro do Newcastle na história da competição.
- Talvez o segredo no futebol moderno seja fazer apenas um ou dois jogos por mês. Está funcionando muito bem para o Bodo/Glimt que derrotou Manchester City, Atlético de Madrid e agora a Internazionale. Ainda de férias do Campeonato Norueguês, esses foram todos os seus compromissos em 2026. É um projeto tão sólido que seus primeiros destaques, como Patrick Berg e Jens Petter Hauge, tiveram tempo de tentar a sorte em ligas mais fortes e retornaram quando não deu tão certo. Todos os gols tiveram a participação de Kasper Hogh, um centroavante de 25 anos que vagou pela Escandinávia sem tanto destaque até ser descoberto pelo Bodo/Glimt dois anos atrás. Emendou campanhas de 12 e 17 gols no Campeonato Norueguês - com 27 por todas as competições na última temporada. E aí, de repente, marcou dois no City, um no Atlético de Madrid e outro na Inter, com direito a duas assistências.
- Sabe como a gente discute gramado artificial no Brasil? Independente da sua opinião, eles foram criados para times amaldiçoados pelo fardo de mandarem suas partidas no Polo Norte. A qualidade do campo do Bodo/Glimt, porém, preocupava a Internazionale antes mesmo do apito inicial. Segundo a Gazzetta dello Sport, houve uma “reclamação informal” à Uefa. Não sei exatamente o que isso significa. Se foi apenas um toque de ombro em um delegado antes de dizer “ruim esse gramado, ein?”. De qualquer maneira, a Inter está associando o gramado artificial à lesão de Lautaro Martínez, que sentiu dores depois de uma aterrissagem e teve que ser substituído aos 16 minutos do segundo tempo. O técnico nerazzurri, Cristian Chivu, não quis usá-lo como desculpa. “O gramado não deveria nos preocupar. Temos que estar prontos mental e fisicamente para jogar nessas condições”, disse.
- Lembra quando o Atlético de Madrid era uma fortaleza? Naquela época, ele nunca deixaria escapar uma vantagem de dois gols contra o Club Brugge. Os belgas ainda conseguiram empatar pela segunda vez depois do Atleti abrir 3 a 2. É uma temporada bastante curiosa do time de Diego Simeone. Obviamente capaz de alcançar o mais alto nível, mas não precisamos ir muito além de exemplos simples para apontar irregularidade: ganhou do Betis por 5 a 0 na Copa do Rei, perdeu por 1 a 0 em La Liga três dias depois; goleou o Barcelona na Copa do Rei, levou 3 a 0 do Rayo Vallecano. Contra o Club Brugge, tudo rolou dentro dos mesmos 90 minutos. Ainda precisa apenas vencer no Metropolitano para avançar. Para ser um concorrente sério ao título, precisa deixar esse sobe e desce para trás.
- O Bayer Leverkusen se aproximou das oitavas de final após vencer o Olympiacos por 2 a 0 fora de casa. Foi um resultado significativo porque a sua última derrota antes de seis vitórias e um empate por todas as competições foi justamente em Pireu pela fase da liga. Gols de Costinha e Mehd Taremi deram os três pontos para os gregos naquela ocasião. Nesta, o dono da festa foi Patrik Schick. Precisou de apenas quatro minutos para se tornar o primeiro jogador do Leverkusen desde Michael Ballack em 2002 a marcar duas vezes em um jogo de mata-mata da Champions League. O capitão Robert Andrich elogiou a maneira como a equipe alemã resistiu à pressão inicial do Olympiacos e se defendeu muito bem. Tem sido uma tendência: desde aquela derrota no fim de janeiro na Grécia, o Leverkusen sofreu apenas dois gols em sete partidas.
- Os dois brasileiros foram derrotados fora de casa na primeira partida da segunda fase preliminar da Libertadores, mas em cenários diferentes. O Botafogo perdeu do Nacional Potosí por apenas 1 a 0. Na altitude de 4.000 metros, quase equivale a uma vitória. Criou chances suficientes para pelo menos empatar. Matheus Martins e Montoro perderam duas das mais claras que você verá em um jogo de futebol. Se a superioridade técnica dos cariocas ficou clara, e passa confiança para a volta no nível do mar, o Bahia teve mais problemas contra o O’Higgins. Os donos da casa começaram muito melhor, conseguiram abrir o placar cedo e continuaram ameaçando com frequência. Chegaram a fazer o segundo gol, anulado por falta no início da jogada. Faltou eficiência para o Bahia, que manteve 65% de posse de bola, mas deu apenas nove finalizações e exigiu uma única defesa do goleiro adversário. Provavelmente terá uma missão mais difícil que a do Botafogo na partida de volta.
- As cinco grandes ligas foram quase impecáveis na primeira perna dos playoffs da Liga Europa. A exceção foi o Lille, derrotado em casa pelo Estrela Vermelha. Nottingham Forest, Celta de Vigo, Bologna e Stuttgart conseguiram boas vitórias fora de casa. Às vezes é difícil entender por que o Forest está brigando contra o rebaixamento na Premier League. Nem tanto quando você lembra que o 3 a 0 sobre o Fenerbahçe foi a estreia do seu quarto técnico nesta temporada. Houve dois gols brasileiros, de Igor Jesus e do zagueiro Murillo (que pareceu um camisa 10). Semaninha complicada do Fenerbahçe, que assistiu ao seu rival fazer 5 a 2 na Juventus e levou uma paulada em casa. Se houve recuperação internamente, a caminhada do Celtic na Europa está próxima do fim após levar 4 a 1 do Stuttgart. Em Glasgow. Na Conference League, destaques para a vitória do Noah, da Armênia, por 1 a 0 sobre o AZ Alkmaar e para o empate que os bósnios do Zrinjski conseguiram arrancar do Crystal Palace. E como a Fiorentina gosta dessa bagaça, né? 3 a 0 sem dó sobre o Jagiellonia.
- Havia dois fatores que nos levavam a acreditar que desta vez seria diferente: o Arsenal parecia mais maduro e não havia nenhum outro grande time à espreita. As duas coisas ainda podem ser verdadeiras, mas, para quem precisa conviver com os fantasmas de três vice-campeonatos consecutivos, deixar uma vitória quase garantida escapar contra o lanterna da Premier League não é um bom agouro. Eu nem sabia que o Wolverhampton era capaz de fazer dois gols. Agora, o Arsenal vive em uma famosa faca de dois gumes. Pode ficar mais tranquilo porque o Manchester City que o persegue não é tão letal quanto os anteriores. E pode ficar mais assustado porque perder o título para um Manchester City que não é tão letal quanto os anteriores doeria muito mais. Com um confronto direto em casa, o time de Guardiola pode ser campeão dependendo apenas dos seus resultados nas últimas 12 rodadas. A pressão é imensa para a visita do Arsenal ao Tottenham no domingo.
PODCAST MEIOCAMPO #207
O episódio 207 analisa a reincidência do racismo contra Vinicius Jr., agora diante do Benfica, e o papelão institucional do clube português ao negar as ofensas de Gianluca Prestianni. O debate destaca o apoio crucial de Mbappé ao brasileiro e a incapacidade cultural argentina em lidar com o racismo. O programa ainda cobre a resiliência do Bodo/Glimt contra a Inter, a nova lesão de Dembélé, o tropeço do Botafogo na altitude e a Premier League agora sob controle do Manchester City.
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