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Guia Meiocampo da Copa do Mundo 2026

As 48 seleções da primeira Copa com 12 grupos, analisadas uma a uma: favoritos, ameaças e cenários de classificação

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Felipe Lobo e Bruno Bonsanti
jun 11, 2026
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Newsletter Meiocampo #148 — 10 de junho de 2026

Esta é uma Copa do Mundo de estreias: a primeira com 48 seleções, a primeira disputada em três países — com o retorno aos Estados Unidos e ao México e a inédita passagem pelo Canadá — e, mais importante por aqui, a primeira do Meiocampo. Para estar à altura do evento, analisamos as 48 seleções, uma a uma, dentro dos seus grupos: em cada chave, você encontra uma análise mais profunda do cabeça de chave, um perfil de cada um dos outros países e um prognóstico do que esperar da disputa pela classificação. O resultado passa de 30 páginas — o que significa que o seu provedor de e-mail vai cortar esta edição no meio. Se está lendo na caixa de entrada, clique aqui e vá para o site ou o app do Substack para ler o guia inteiro. Aproveite.

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Guia Meiocampo da Copa do Mundo 2026

Grupo A – México, Coreia do Sul, África do Sul e Tchéquia

Por Felipe Lobo

Gilberto Mora, desstaque do México (reprodução)

MÉXICO

Durante anos, o objetivo do México em Copas do Mundo era superar o quinto jogo. No Catar, a situação piorou: o time caiu ainda na primeira fase. Agora, sediando a Copa pela terceira vez, El Tri acredita na possibilidade de repetir as chegadas às quartas de final de 1970 e 1986. Comandado por Javier Aguirre, em sua terceira Copa à frente da seleção (já era o treinador em 2002 e 2010), o time usa a experiência como base. Embora falte o talento a que nos acostumamos, especialmente no ataque, os mexicanos têm motivos para acreditar em uma boa campanha — e algumas cascas de banana na primeira fase, a principal delas a Coreia do Sul, mas também a Tchéquia e a adversária da estreia, a África do Sul. O jogo de abertura, aliás, repete o de 2010, com os mandos invertidos: desta vez são os mexicanos que abrem a Copa em casa.

Há nomes rodados no elenco, caso de Raúl Jiménez, do Fulham. Aos 35 anos, é o camisa 9 e uma das referências, ainda que criticado pela escassez de gols — poucos, mas decisivos: três deles renderam nove pontos diretos ao Fulham na temporada. Tem também o goleiro Guillermo Ochoa, de 40 anos, que chega à sua sexta Copa do Mundo, marca que Messi e Cristiano Ronaldo igualam nesta mesma edição — mas deve ser reserva de Raúl Rangel. O meio-campo é onde o time vai melhor: Edson Álvarez, do Fenerbahçe, atua como primeiro volante, mas tem problemas físicos e pode ser substituído por Erik Lira que, se não oferece a mesma capacidade de marcação, tem boa construção. Assim como Álvaro Fidalgo, possível titular como segundo volante no 4-3-3 de Aguirre. Formado na escola espanhola de trabalhar a bola, deve ser o organizador do setor.

Sem pontas tão insinuantes quanto as de outros tempos, a grande esperança está em Gilberto Mora, de apenas 17 anos. Depois de brilhar no Mundial Sub-20 de 2025, chega à Copa como provável titular e candidato a revelação. É um meia ofensivo que deve encostar em Raúl Jiménez e ajudar os pontas Roberto Alvarado e Alexis Vega (ou Julián Quiñones) a serem mais perigosos. Santiago Giménez, atacante do Milan, chega em baixa e é a alternativa ao camisa 9. Ao contrário do que vimos em outras épocas, é possível que este México dependa menos da velocidade e mais do controle do meio-campo, onde estão o coração e o maior talento do time. Há ainda boa variação tática, com o lateral Jesús Gallardo chegando bem à frente e a capacidade de se defender com duas linhas de quatro — ou até uma linha de cinco, se necessário — para apostar em Vega ou Quiñones no contra-ataque.

COREIA DO SUL

A Coreia do Sul chega à sua 11ª participação consecutiva em Copas do Mundo, sequência iniciada em 1986, e se classificou de maneira tranquila para esta edição: invicta, com 20 gols marcados e apenas um sofrido. Ainda assim, as atuações nas Eliminatórias não encheram os olhos, e a Copa exigirá mais da equipe. Chegar à segunda fase é novamente o desafio, repetindo 2022, quando caiu para o Brasil nas oitavas de final. O comando é de Hong Myung-bo, herói de 2002, que assumiu em 2024 depois do trabalho ruim de Jürgen Klinsmann. O talento maior é Son Heung-min, 33 anos, hoje no Los Angeles FC, naquela que deve ser sua última Copa. O time tem atuado em um 3-4-3, com Kim Min-jae, do Bayern de Munique, no centro da zaga. O ataque reúne outros nomes conhecidos, como Lee Kang-in, do PSG, e Hwang Hee-chan, do Wolverhampton, além de Lee Jae-sung, de 33 anos, que joga na Alemanha e traz bagagem ao setor ofensivo. No meio-campo, o organizador é Hwang In-beom. Os sul-coreanos miram o segundo lugar do grupo para voltar ao mata-mata, de preferência explorando as transições rápidas para acionar Son em posições avançadas do campo.

ÁFRICA DO SUL

A África do Sul volta à Copa do Mundo depois de 16 anos de ausência — a última vez foi justamente quando jogou em casa, em 2010. Liderou o seu grupo nas Eliminatórias e tenta superar a fase de grupos pela primeira vez. Tem um estilo baseado em posse de bola, comandado pelo técnico belga Hugo Broos. A base do time é o Mamelodi Sundowns, um bom clube na África, mas sem grandes jogadores no mais alto nível europeu. O próprio treinador admitiu que a classificação é difícil e que o time buscará ficar entre os melhores terceiros para avançar — larga atrás tanto de Coreia do Sul quanto de Tchéquia, os outros adversários do grupo além do cabeça de chave México. A equipe joga em um 4-2-3-1, com destaque para o zagueiro Mbekezeli Mbokazi, de apenas 20 anos, canhoto de boa saída de bola, Teboho Mokoena, 29 anos, um dos oito jogadores do Mamelodi Sundowns no elenco e motor do meio-campo, e o ponta Oswin Appollis, de 24 anos, do Orlando Pirates. Relebohile Mofokeng, de 21 anos, também do Orlando Pirates, é a aposta de futuro. Para os sul-africanos, uma vitória nesta Copa já será muita coisa.

TCHÉQUIA

A Tchéquia chegou à Copa de maneira emocionante, pela repescagem. Depois de passar pela Irlanda, venceu a Dinamarca nos pênaltis por 3 a 1, após empate por 2 a 2 no tempo normal — e volta ao torneio pela primeira vez desde 2006. A missão de comandar o time é de Miroslav Koubek, veterano de 74 anos que assumiu em dezembro e será o técnico mais velho a dirigir uma seleção em Copas do Mundo. O principal nome do elenco é o atacante Patrik Schick, de 30 anos, artilheiro da Eurocopa de 2020 e dono de boa temporada pelo Bayer Leverkusen, com 16 gols em 28 jogos. O volante Tomás Soucek, de 31 anos, do West Ham, é o capitão. O elenco é veterano, com nomes como Vladimír Coufal, de 33 anos, e o meia Vladimír Darida, de 35. É um time que se apoia na força física, na altura e em um jogo bastante direto. Atua no 3-4-2-1, que sem a bola vira uma linha de cinco, apostando especialmente em Coufal pela direita. A campanha nas Eliminatórias foi tenebrosa — tomou 5 a 1 da Croácia e perdeu das Ilhas Faroe —, mas o time se salvou na repescagem. Tecnicamente, não tem muito a oferecer; tentará levar os jogos para o duelo físico em busca da classificação.

PANORAMA DO GRUPO

O México é o grande favorito, o time com mais talento e mais bem preparado, mas tem na Coreia do Sul a principal adversária da primeira fase. Apesar da teórica superioridade sobre África do Sul e Tchéquia, são adversários capazes de complicar de modos diferentes — uma com posse de bola, a outra com força física. Para os mexicanos, vencer a estreia será um passo importante, e o duelo contra os sul-coreanos, na segunda rodada, pode ser definitivo. A disputa pelo segundo lugar, porém, começa a se decidir antes: Coreia do Sul e Tchéquia se enfrentam logo na primeira rodada, em Guadalajara, e quem vencer terá meio caminho andado. Com o regulamento que classifica os oito melhores terceiros, até a África do Sul tem um cenário viável — o que torna a última rodada, contra a Coreia do Sul em Monterrey, a sua melhor chance de transformar a participação em algo mais que simbólica.

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