O problema da Fifa é maior que Infantino
A carta de Uefa, AFC e Concacaf pode até derrubar o presidente da Fifa. O poder que ele usou continuará de pé.
Newsletter Meiocampo #189 — 11 de agosto de 2026
O problema da Fifa não vai embora quando Infantino sair do cargo — e a essa altura, a pergunta não é mais se ele sai, é quando. Uefa, AFC e Concacaf uniram forças numa carta aberta nesta segunda que praticamente inviabiliza sua permanência até março de 2027. Mas o mecanismo que permitiu a ele negociar bilhões em segredo, sem consultar ninguém, continua de pé — foi criado antes dele e vai sobreviver a ele, a menos que a Fifa mude a forma como decide quem manda no dinheiro e como o presidente é fiscalizado. É disso que falamos na edição de hoje.
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O problema da Fifa é maior que Infantino
Por Felipe Lobo
A crise em torno do Fifa Forward Enterprise não é sobre Gianni Infantino. É sobre o fato de que qualquer presidente da Fifa, hoje, tem poder suficiente para negociar bilhões com investidores privados sem consultar ninguém — e só recuar quando três das seis confederações se juntam contra ele. O escândalo vai passar. O mecanismo que o tornou possível, não, a menos que seja desmontado agora.
Em um comunicado conjunto na manhã de segunda-feira (10), Uefa, AFC e Concacaf assinaram uma carta aberta que pressiona Infantino a renunciar. Ou, ao menos, desgasta o presidente para a eleição de março de 2027.
“Liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de deter — ou exigir — poder. É um dever de serviço para com a família do futebol que a confia. Quando a confiança é quebrada por meio de enganação, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo que lhe confiou autoridade, esse dever foi abandonado”, diz um trecho da carta.
Quando o plano de Infantino foi revelado, contra sua vontade, por reportagem exclusiva de Martyn Ziegler no The Times — o mesmo repórter que, cinco anos antes, havia revelado a criação secreta da Superliga Europeia —, o dirigente tinha algumas opções para lidar com a crise que se seguia (mais sobre a revelação e a queda do projeto, no Meiocampo).





