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O silêncio de Ancelotti já disse tudo sobre Neymar

A última lista antes da Copa mostra um time desenhado, um técnico que nunca precisou dizer não e um jogador sem vaga

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Felipe Lobo e Bruno Bonsanti
mar 17, 2026
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Newsletter Meiocampo #125 — 17 de março de 2026

Há momentos que o que não foi dito diz mais do que o dito. A coletiva na convocação de Carlo Ancelotti, a última antes da Copa do Mundo, foi uma dessas. Falamos sobre a lista, a ausência de Neymar e a construção de um time que não depende do camisa 10 do Santos. Mas a convocação vai muito além de Neymar e falamos sobre dúvidas e certezas do técnico pensando na lista final.

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O silêncio de Ancelotti já disse tudo sobre Neymar

Por Felipe Lobo

Carlo Ancelotti, técnico do Brasil (Rafael Ribeiro/CBF)

“Estão ansiosos, né?”. A frase foi dita por Carlo Ancelotti antes de anunciar os atacantes da última convocação antes da Copa do Mundo. Neymar não estava na lista — como não esteve em nenhuma das convocações de Ancelotti desde que ele assumiu a Seleção. O técnico disse que o jogador pode ser chamado em maio, se estiver 100% fisicamente. Não definiu o que 100% significa. Não precisou: ao escolher um critério subjetivo que Neymar não atinge há anos, Ancelotti transferiu para o jogador a responsabilidade pela própria ausência. A porta está fechada. Para abrir, Neymar precisa bater — e a chave nunca esteve com ele.

Newsletter Meiocampo #125 — 17 de março de 2026

Há momentos que o que não foi dito diz mais do que o dito. A coletiva na convocação de Carlo Ancelotti, a última antes da Copa do Mundo, foi uma dessas. Falamos sobre a lista, a ausência de Neymar e a construção de um time que não depende do camisa 10 do Santos. Mas a convocação vai muito além de Neymar e falamos sobre dúvidas e certezas do técnico pensando na lista final.

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O silêncio de Ancelotti já disse tudo sobre Neymar

Por Felipe Lobo

Carlo Ancelotti, técnico do Brasil (Rafael Ribeiro/CBF)

“Estão ansiosos, né?”. A frase foi dita por Carlo Ancelotti antes de anunciar os atacantes da última convocação antes da Copa do Mundo. Neymar não estava na lista — como não esteve em nenhuma das convocações de Ancelotti desde que ele assumiu a Seleção. O técnico disse que o jogador pode ser chamado em maio, se estiver 100% fisicamente. Não definiu o que 100% significa. Não precisou: ao escolher um critério subjetivo que Neymar não atinge há anos, Ancelotti transferiu para o jogador a responsabilidade pela própria ausência. A porta está fechada. Para abrir, Neymar precisa bater — e a chave nunca esteve com ele.

Desde 2010, Neymar foi figura carimbada na Seleção. Tecnicamente o melhor jogador brasileiro de sua geração, liderou o time nas Copas de 2014, 2018 e 2022. Nunca foi uma dúvida, especialmente do ponto de vista técnico. Desta vez é. E o critério escolhido por Ancelotti é o físico: desde a última Copa, Neymar entrou em campo em 48 jogos e nenhuma vez conseguiu disputar oito partidas consecutivas, a quantidade mínima para chegar a uma final de Copa do Mundo com 48 seleções. Chegou a sete duas vezes. Ancelotti escolheu um critério que Neymar provavelmente não atingirá. Isso não parece acidente.

Mas há um argumento mais estrutural, que a própria lista revela. “Temos dúvidas entre os zagueiros, dúvidas no meio de campo e poucas dúvidas na frente”, disse Ancelotti. A declaração é honesta — e é o enunciado mais duro contra Neymar que o técnico poderia fazer sem pronunciar seu nome. O ataque é o setor mais resolvido. E é justamente lá que Neymar precisaria entrar.

O time já está desenhado

Entre os convocados, Vinícius Júnior, Raphinha, Matheus Cunha e João Pedro estão praticamente encaminhados para a Copa. Endrick foi chamado pela primeira vez e vem em boa fase. Estêvão, fora por lesão agora, estará em maio. Igor Thiago faz uma temporada de 19 gols em 30 jogos na Premier League pelo Bournemouth e foi chamado para ser avaliado de perto. São perfis distintos: atacante de referência, pontas, segundo atacante, jovem em ascensão, que cobrem todas as funções ofensivas que Ancelotti pode precisar. Não há vaga para um jogador de condição física incerta. E Ancelotti sabe disso.

No meio, as indefinições são reais. Casemiro e Bruno Guimarães parecem titulares; Fabinho e Andrey Santos, reservas diretos. Para a terceira vaga de meio-campista, aquele que joga mais adiantado, com mais liberdade, Paquetá, Gabriel Sara e Danilo disputam espaço, com o primeiro chegando de fora da convocação e os outros dois estreando agora. É o setor com mais perguntas em aberto. Na defesa, a dúvida está nas laterais: Militão, se recuperar a tempo, é o favorito na direita; na esquerda, Alex Sandro e Douglas Santos parecem garantidos.

Com 17 ou 18 jogadores já encaminhados para uma lista de 26, sobram oito ou nove vagas. O setor com mais candidatos, e menos espaço, é o ataque. A pergunta, portanto, vai além de saber se Neymar estará em condições físicas. É também: onde ele entra? No lugar de quem?

Ancelotti construiu uma seleção que não depende de Neymar — e o fez sem precisar dizer isso em nenhuma coletiva. Cada convocação sem o jogador foi um tijolo. Esta, a última antes da lista final, é a parede pronta. Se Neymar chegar a maio em condições físicas excepcionais, Ancelotti terá a generosidade de chamá-lo. Se não chegar — e o histórico recente sugere que não chegará —, a responsabilidade será do jogador, não do técnico. É uma saída política sem costura aparente. O silêncio, no fim, foi o argumento mais eficiente.


PODCAST MEIOCAMPO #214

Carlo Ancelotti fez a sua última convocação antes da lista da Copa do Mundo e, para a surpresa de poucos, deixou Neymar em casa. Aproveitou para conhecer alguns jogadores de perto, com destaque para Gabriel Sara e Rayan. Falando em seleção brasileira, ninguém mais aguenta o Tite e também vamos dar um giro pelo que de melhor aconteceu nos campeonatos nacionais da Europa.

Ouça também no Spotify, iTunes ou no seu tocador de preferência.

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GIRO

Por Bruno Bonsanti

Max Dowman comemora o seu gol pelo Arsenal (reprodução/Arsenal.com)

- Para quem reclama que o estilo do Arsenal é chato, que tal um garoto de 16 anos saindo do banco de reservas para resolver um jogo duríssimo? O Everton teve oportunidades para sair na frente. Esbarrou em um bloqueio de Riccardo Calafiori, na trave e em David Raya. O líder estava deixando dois pontos pelo caminho quando Max Dowman entrou no lugar de Zubimendi. Toda sua experiência no futebol profissional se resumia a 220 minutos. Na Premier League, apenas 27. Ele, primeiro, criou a jogada do gol de Viktor Gyökeres que tirou o coração da garganta do Emirates Stadium. E nos acréscimos, atravessou o gramado inteiro, com alguns dribles plásticos, para se tornar o jogador mais jovem a marcar na era moderna do Campeonato Inglês. Chato não foi.

- Foi a quarta vitória seguida do Arsenal pela Premier League e, como o Manchester City apenas empatou com o West Ham no leste de Londres, sua vantagem aumentou. Está em seis pontos na prática, o que significa que mesmo se o City ganhar o confronto direto no Etihad Stadium depois da Data Fifa, ainda precisará de dois tropeços ou uma derrota se conseguir tirar uma diferença de sete gols de saldo. Depois de tanta discussão sobre uma possível refugada quando ganhou apenas duas vezes em sete rodadas, parece que o Arsenal sobreviveu à tempestade e, como não está sendo perseguido por um City tão avassalador quanto os anteriores, pode ser o suficiente.

- O que pegou a galera de surpresa quando o Aston Villa emplacou oito vitórias consecutivas na Premier League é que a expectativa, após um mercado de poucos investimentos, é que daria um passo atrás. A familiaridade e a qualidade do trabalho de Unai Emery atrasaram esse destino, mas parece que não por muito tempo. Está pouco a pouco saindo do G5, com apenas duas vitórias nas últimas 10 rodadas e três derrotas seguidas. Aquela sequência entre novembro e dezembro foi a última vez que ganhou partidas consecutivas pela liga inglesa. E eu juro que isso é verdade: o mais regular da briga por vaga na Champions League no momento é o Manchester United, que acabou de derrotar o próprio Villa por 3 a 1 e caminha para ser terceiro colocado.

- O Chelsea foi multado em quase £ 11 milhões por irregularidades financeiras durante um período de oito anos (2011-18), ainda na Era Roman Abramovich. O principal pecado foram pagamentos de comissões por baixo dos panos de pelo menos £ 47 milhões para contratar jogadores como Eden Hazard, Willian, David Luiz e Nemanja Matic, todos pilares em conquistas de títulos importantes. A Premier League também impôs um embargo de transferências que será aplicado apenas se eles cometerem mais irregularidades nos próximos dois anos. Especialistas consideraram a punição muito fraca. Não sou um deles, mas também considero. Clubes menos badalados sofreram deduções de pontos por irregularidades muito menores. O Chelsea recebeu clemência porque os novos donos relataram as irregularidades, mas sem nenhum revés esportivo, a mensagem é que o crime compensa: £ 11 milhões para conquistar duas Premier Leagues, uma Liga dos Campeões e duas Copas da Inglaterra? Topo. O Chelsea ainda pode sofrer uma sanção diferente da Federação Inglesa, que conduz sua própria investigação, mas não é um precedente animador para quem aguarda o veredito do caso do Manchester City. Que. Nunca. Chega.

- Mesmo em uma ascensão meteórica, não se esperava que o Como se classificasse para a Liga dos Campeões nesta temporada. Oito anos atrás, ainda estava na Série D. E pode ser que não aconteça, mas parece ter dado mais um passo à frente, surfando no ótimo trabalho e na convicção de Cesc Fàbregas. E um investimento fora da curva para um clube do seu tamanho. O Como, para muitos, pratica o melhor futebol da Itália e talvez o mais consistente: atua todo fim de semana da mesma maneira, mesmo quando as coisas não estão dando certo. Parecia que não dariam no domingo quando a Roma conseguiu abrir o placar de pênalti aos sete minutos. Mas o Como seguiu em cima e dominou as estatísticas, como costuma fazer, mesmo contra o time de outro treinador bastante elogiado pela sua proposição ofensiva. Abriu três pontos para a Roma e está em quarto lugar. Parece inevitável que dispute competições europeias na próxima temporada porque tem 12 de vantagem para o oitavo lugar e ainda está na semifinal da Copa Itália. O difícil mesmo será segurar Fabregas por muito tempo.

- Pior do que não conseguir aproveitar o tropeço da Internazionale para ressuscitar a briga pelo título foi a reação de Rafael Leão ao ser substituído por Massimiliano Allegri na derrota por 1 a 0 para a Lazio. Talvez ele estivesse frustrado porque faz tempo que o ponta português não consegue repetir as atuações de quando foi eleito o craque da Serie A, pelo menos não com a mesma frequência, e as especulações no mercado de transferências tendem apenas a aumentar depois daquele chilique. A Inter começou uma sequência difícil (Atalanta, Fiorentina, Roma e Como) com um empate. Era a hora do Milan mostrar que tem as credenciais para roubar o scudetto. Em vez disso…

- Talvez a solução para equilibrar a temporada da Bundesliga é obrigar o Bayern de Munique a escalar apenas nove jogadores. Com dez, ainda conseguiu buscar o empate com o Bayer Leverkusen e, mesmo após a expulsão de Luis Díaz, segurou um pontinho. O Borussia Dortmund bateu Augsburg e reduziu a distância para nove pontos, mas nós não vamos fazer isso de novo. O grande destaque da rodada foi a vitória do Stuttgart sobre o RB Leipzig. Um confronto direto pelo G4. O Leipzig, coitado, perdeu um gol cara a cara com Christoph Baumgartner e acertou a trave duas vezes. Para piorar, o gol de Denis Undav saiu no segundo erro grosseiro na saída de bola em um intervalo de dois minutos. O Stuttgart (4º) abriu três pontos para o Leipzig (5º), cinco para o Leverkusen (6º) e empatou com o Hoffenheim (3º).

- O Irã fez um pedido absolutamente razoável: como tem três sedes, podemos jogar a Copa do Mundo em uma que não esteja jogando bombas na gente? E a Fifa, em sua imensa sabedoria, disse não. Segundo fontes do Guardian, o argumento razoável é que atrapalharia as seleções que enfrentarão o Irã, provavelmente em um estágio avançado do planejamento logístico. Ok, mas não daria para conversar? O argumento não razoável é que causaria problemas comerciais: ingressos foram vendidos, as emissoras montaram suas programações, acordos de patrocínio foram fechados. E aí, perdoe meu persa, mas foda-se. O Irã está em guerra e o presidente do país que o atacou falou com todas as letras que não pode garantir a segurança dos jogadores, o que deveria automaticamente desqualificá-lo como sede de qualquer coisa. A percepção é que cada lado está tentando forçar a mão da Fifa para poder culpar o outro pela não participação dos iranianos. A Fifa deve tomar uma decisão final sobre a questão apenas em 30 de abril, durante seu congresso em Vancouver.

- Álvaro Recoba completa 50 anos nesta terça-feira. Dono de uma perna canhota muito precisa, o nascido em Montevidéu começou no Danubio antes de brilhar pelo Nacional. Foi para a Internazionale, clube pelo qual mais atuou ao longo da vida, com 261 jogos e 72 gols. Foram 10 anos de Inter, de 1997 a 2007, quando saiu emprestado para não voltar mais. Na época de ouro dos games, quem nunca quis o Recoba no seu time no Winning Eleven para usar nos chutes de fora da área ou em cobrança de faltas, não é mesmo? Ele ainda jogaria no Danubio e no Nacional de novo antes de se aposentar, em 2015. Atualmente ele é treinador, chegou a treinar o próprio Nacional por um curto período e desde novembro é treinador do Deportivo Táchira, da Venezuela (Felipe Lobo)


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A Newsletter Meiocampo conta com duas edições fixas semanais: às terças, exclusiva para assinantes, e às sextas, gratuita para o público em geral. Ocasionalmente, nossos assinantes também ganharão textos extras. Na última sexta-feira, falamos sobre o fracasso dos ingleses nos jogos de ida da Champions League e discutimos razões que fazem sentido (e outras que nem tanto).


Até sexta!

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