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Seleção tipo exportação

A Índia pagou e um governo australiano negociou: a seleção começou o ciclo de 2030 longe da torcida e voltou com poucas respostas.

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Felipe Lobo e Bruno Bonsanti
out 07, 2026
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Newsletter Meiocampo #205 — 6 de outubro de 2026

O Brasil saiu de uma Copa decepcionante sem que ninguém explicasse o que deu errado e começou o ciclo rumo a 2030 com uma turnê pela Austrália e pela Índia. A viagem rendeu uma boa grana para a CBF. Nesta edição, mostramos quem pagou essa conta e o que, em campo, ainda fica sem resposta.

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A primeira data Fifa do ciclo rendeu dinheiro, não respostas

Por Felipe Lobo

Foto: Divulgação/CBF

O ciclo da Copa do Mundo de 2030 começou sem que a seleção brasileira prestasse contas sobre como terminou o anterior. O Brasil caiu diante da Noruega nas oitavas de final, um resultado muito abaixo da expectativa, e a CBF confirmou Carlo Ancelotti até 2030 logo depois, sem nenhum diagnóstico público do que deu errado. O gosto de ressaca ainda está na boca da torcida, e o novo ciclo começou com amistosos nas distantes Austrália e Índia.

Um empate, duas vitórias, alguns testes e a sensação de que o time melhorou, mas andou pouco. Era uma data Fifa que o Brasil não tinha como ganhar: se vencesse os três jogos, não valeria nada; se não vencesse, seria um desastre – como foi o empate no primeiro jogo.

Ancelotti mantido, problema também

Ancelotti ainda está devendo. O trabalho no ano entre a sua chegada e a Copa trouxe poucas soluções e pareceu empacar num problema parecido com o de Fernando Diniz e Dorival Júnior antes dele: um time desequilibrado, que foca no ataque e não consegue ter um meio-campo confiável.

É verdade que Ancelotti pareceu achar um caminho para minimizar os problemas, especialmente durante a Copa. Matheus Cunha ajudou a resolver parte deles, e sua ausência foi sentida no primeiro jogo deste novo ciclo.

Ancelotti não detalhou o que achou que deu errado na Copa, e a cobrança sobre o italiano foi suave. O que dava para esperar, então, deste começo de ciclo? A Austrália não é um adversário ruim. Jogar duas vezes contra os australianos, porém, é um pouco demais; um jogo bastaria. A Índia é outro caso.

A Índia pagou duas vezes

Enquanto os australianos são uma das melhores seleções da Ásia, presença constante em Copas do Mundo, a Índia nunca disputou um Mundial e é apenas a 138ª do ranking da Fifa. Por que jogar com a Índia?

A resposta, claro, é dinheiro. Em Queensland, o estado australiano que recebeu os jogos, foi o governo local que negociou a vinda do Brasil, vendida como evento turístico. Os jogos foram em Townsville, num gramado muito ruim, e em Brisbane, cidade que receberá a Olimpíada de 2032.

Podemos achar que a Índia estava ansiosa para enfrentar o Brasil, e isso até pode ser verdade, mas não é toda a verdade. Segundo o Live Mint, a CBF recebeu algo em torno de US$ 4 milhões para jogar em Calcutá, a maior parte do orçamento que a federação indiana separou para o jogo. Parte do comitê executivo da federação questionou o acordo. E, para receber o Brasil, a Índia desistiu da primeira Copa da Asean da Fifa, disputada de 21 de setembro a 6 de outubro, porque o calendário batia com o amistoso.

Bhaichung Bhutia, um dos maiores nomes da história do futebol indiano, criticou a decisão. Disse que não haveria problema se o Brasil viesse de graça, mas que gastar esse dinheiro enquanto clubes indianos fecham não faz sentido – e que a Copa da Asean, contra Tailândia, Indonésia e Vietnã, tinha mais valor esportivo. A turnê não só deixa de testar o Brasil: ela tirou da Índia a chance de enfrentar adversários do seu nível no começo do próprio ciclo.

A CBF ainda escolheu fazer três jogos de quatro possíveis. Seria difícil encontrar mais um adversário, é verdade, mas o problema se repete em novembro, quando a seleção volta a se reunir para enfrentar Cingapura e Japão. Os japoneses são ótimos adversários, o melhor time da Ásia; Cingapura é mais uma seleção que não oferecerá desafio e contra a qual o Brasil só tem a perder.

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